Horizon zero dawn

A jornada do herói é uma teoria que segue as regras do romance tradicional e que apresenta uma pessoa, geralmente de origem humilde, com um destino traçado na salvação do mundo. Esse alguém é considerado um predestinado, um escolhido, um ser dotado de habilidades especiais que são descobertas ao longo da aventura e posteriormente utilizadas em prol do bem. Horizon: Zero Dawn não poderia apostar numa fórmula diferente, só que não necessariamente nessa ordem.

O time de produção se viu compelido a botar os melhores ingredientes que um mundo aberto exige: imersão, variedade de coisas a se fazer, personagens com carisma, NPCs que tragam sentimentos, inteligência artificial que tenha cérebro, atividades que representem um significado e uma protagonista que dê orgulho aos fãs. A soma disso tudo resulta em personalidade. Arsenal, inimigos, equipamentos e todo o resto vêm por consequência. Entre expectativas e adiamentos, o caminho foi longo até aqui; basicamente, desde 2011. E o seu caminho também vai ser imenso para você curtir tudinho que essa épica jornada reserva.

A importância de ter uma heroína com personalidade

Nesse contexto, Aloy é uma heroína nitidamente inspirada nos conceitos literários apolíneo e dionisíaco, ou seja, ela é uma mistura de razão e raciocínio lógico com emoção e instinto. Sua origem é tão misteriosa quanto as máquinas vivas que perambulam por uma Terra devastada, mil anos à frente da nossa, quando a tecnologia e o conhecimento humano entraram em confronto – mas a natureza respondeu à altura e reinou soberba nesse conflito, em que parafernálias metálicas de última geração coexistem com o verde dominante, aldeias e tribos pré-históricas. A odisseia ao Oeste vista no belíssimo Enslaved, pérola da geração passada, é sua melhor lembrança aqui. O verde-fungo de The Last of Us, com galhos e ramos que intersectam monumentos arcaicos, também é dominante em Horizon.

A sede por respostas é capaz de segurar sua atenção até o final numa boa, nas cerca de 35 horas das missões principais. Cristalino e acessível, o gameplay é o ingrediente que caminha de mãos dadas com o enredo. Em um mundo hostil que requer espírito de sobrevivência, a coleta de recursos e a criação de itens à la Far Cry Primal são atividades cruciais em Horizon. Assim como no título da Ubisoft, aqui você precisa garimpar absolutamente qualquer item que brotar do chão em indicadores bem apontados na tela. É assim que você ajuda Aloy a evoluir: construindo bolsas maiores para carregar mais itens, mais munição, mais customizações, mais tudo.

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